As crianças e a Palestina
Desde que comecei a imaginar a Movi Books, já fazia parte dos planos um livro iustrado sobre a Palestina. Não conseguia acreditar que nenhuma editora grande corria para publicar um livro que mostrasse a cultura palestina de forma positiva e pudesse ser um início de conversa para crianças brasileiras e portuguesas.
Enquanto eu tentava entender como funciona aquisição de direitos, continuávamos a receber de notícias que nos empurravam para uma desumanização dos palestinos, que é sempre um dos primeiros passos para fundamentar um genocídio. A cada mês, parecia mais óbvio que precisamos de um livro que faria exatamente o oposto: A nossa terra.
Com a ajuda de tradutores, editores e revisores experientes, que trabalharam pro bono, conseguimos publicar o livro escrito pela palestina-americana Hannah Moushabeck e ilustrado por Reem Madooh, do Kuwait. Em cerca de seis meses, temos duas versões, uma para o Brasil e outra para Portugal. São traduções diferentes mesmo, não uma adaptação.
Tive a oportunidade ainda de conversar com a escritora Hannah Moushabeck, que contou como o livro foi recebido no lançamento em 2023, qual é a parte preferida das crianças e sobre o apoio de comunidades para lutar contra a censura nos Estados Unidos.
Nas leituras do livro, Hannah percebeu que as crianças conseguiam identificar a injustiça (ou a justiça) com muito mais facilidade do que os adultos. Com a mesma informação, as crianças dizem prontamente que devíamos parar o ataque a Gaza, enquanto adultos seguem a dizer que é complicado ou até merecido.
Dois dias antes do lançamento do livro em Lisboa, a ONU divulgou um relatório de 100 páginas apontando que Israel mira deliberadamente crianças e jovens em bombardeios. Nos últimos dois anos, as hostilidades mataram 20 mil crianças e deixaram outras 44 mil feridas. Não é complicado, nem merecido.
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Peter Füssy
ex-jornalista, escritor, migrante, ativista de mobilidade, cozinheiro particular do Tom e fundador da Movi
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entrevista
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Hannah Moushabeck: Crianças identificam injustiças com mais facilidade do que adultos
Grávida do primeiro filho, autora fala também sobre ser queer, gorda e palestina, e como vem conseguindo entrelaçar essas comunidades em busca de um futuro radical e uma libertação coletiva.
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notícias e artigos
ONU
Forças israelenses têm “visado deliberadamente menores palestinos, submetendo-os a traumas em massa e violações sistemáticas de direitos.”
Testemunho
Escritor Ahmad Mofeed reflete sobre os trabalhos artísticos infantis como uma forma de testemunho e documentação histórica.
Médicos Sem Fronteiras
Campo de refugiados incorpora ludoterapia ao cuidado de crianças pequenas internadas por desnutrição grave.
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outros livros
Leila Khaled
Leila Khaled é uma figura marcante da resistência palestina, símbolo de coragem feminina e militância política que atravessa décadas. Ficou famosa como a primeira mulher a comandar o sequestro de um avião e o seu retrato tornou-se um ícone.
Nascida em Haifa em 1944, Leila foi forçada a fugir em 1948 para um campo de refugiados no Líbano, após o evento inicial da Nakba - a limpeza étnica e migração forçada de palestinos, promovida pela formalização da ocupação israelita como estado.
Aos 15 anos, ingressou no Movimento Nacionalista Árabe (MNA), onde se iniciou sua trajetória política. Em 1969, participou do sequestro do voo TWA 840, desviando-o para Damasco, sobrevoou sua Haifa natal e ganhou notoriedade. Ninguém foi ferido e o avião foi destruído após a evacuação dos passageiros e tripulantes.
Tornou-se professora de inglês no Kuwait e juntou-se à Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP). Na Jordânia, aprendeu a desviar aviões, o que chegou a fazer em voos comerciais que faziam a ligação entre Israel e outros países com quem estabeleciam relações diplomáticas e comerciais.
Vive atualmente em Amã, capital da Jordânia, mantendo-se alvo de censura e perseguição. Apesar disso, mantém-se ativa na Organização pela Libertação da Palestina.
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